Que tiro foi esse Pastora Damares

Foto: Walterson Rosa/FramePhoto/Folhapress
O eleito a presidente do Brasil Jair Bolsonaro escolheu a pastora Damares Alves para comandar o Ministério da Família, uma exigência dos pastores evangélicos que foram fundamentais na sua vitória. Porém, ao gosto do calibre dos seus cabos eleitorais ao fazer esta escolha não estava no seu campo de alcance que a escolhida antes mesmo de assumir a pasta expusesse a temeridade de se sub-reconhecer  a primazia dos direitos humanos quando ela, agora, no seu primeiro ato ministerial antes de 2019, resolveu se expor e expor as vísceras da moral da família cristã evangélica, em que o silenciamento da cultura do estupro, do machismo e da subjugação da mulher ainda são aceitos como algo normal. Na entrevista à Folha de São Paulo à repórter Camila Brandalise, em 18/12/18, a história da infância da futura ministra confirma o quanto a criança pode ser violentada sexualmente e a família não perceber o seu estado de vulnerabilidade, como ela relembra dolorosamente: “O pastor ia ao meu quarto à noite pra me estuprar”, diz Damares Alves. “Uma menina abusada é uma mulher destruída”. É uma dor que ainda hoje parece ser parte do seu desatino emocional. 

A saber: 1. Quantas mulheres nascidas no berço evangélico se encontram destruídas vítimas do autoritarismo e da cultura machista dentro da igreja onde as mesmas são reconhecidas como um ser inferior? 
2. Quantas mulheres cristãs são assediadas, mas, o poder de pastor, como o caso de Damares Alves, as mesmas são silenciadas e ameaçadas? Por medo de se expor guardam a humilhação e a dor e enquanto isso a cultura da violência do violentador permanece. É provável que esse ‘tiro’, a quebra do silêncio da pastora Damares Alves venha gerar mal-estar para as lideranças evangélicas; porque pela cultura atual machista se esperava uma pastora que confirmasse o modelo moral de família cristã, e não de imediato viesse a expor às vísceras morais cujas mulheres têm trazido inscrito nos seus corpos a violência silenciada por estas. 
Prof. Edimilson Mota

Comentários

  1. Ótima reflexão! Parabéns Professor Edimilson!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. A igreja não costuma tratar de assuntos aos quais elas se encontra em situação de autora, principalmente quando este assunto se trata de um crime.
    Por isso quem tem lucidez e senso crítico, precisa se pronunciar.
    Ótima reflexão.

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    1. De fato, Edson, a igreja pela manutanção do poder ela enquanto sistema conduz os crimes e a falta de conduta ética e moral na invisibilidade. A violência contra a mulher ainda é a cultura dominante e, o pior, em nome de um evangelho que é totalmente ao contrário a violência e ao preconceito.

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  4. Um bom texto! Boa provocação a reflexão

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  5. Texto reflexivo e, pode demais, contemporâneo. Que possamos fazer as devidas distinções.

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