EXTRANGULAMENTO NO SUPERMERCADO O ICEBERG DO RACISMO ESTRUTURAL

A cena de quarenta e cinco segundos que circula nas redes
sociais, do segurança do supermercado Extra, Davi Ricardo Moreira Amâncio, que
deu um mata-leão em Pedro Henrique Araújo, causa revolta em muitos, mas em
milhares de internautas causa prazer. Lendo os comentários, muitos dizem que a
atitude do segurança de sufocar e levar à morte Pedro Henrique Araújo foi a
correta visto que este seria menos um "bandido" contra as pessoas de
bem e que pagam os seus impostos para ter segurança pública. Lembrei-me do Apóstolo
Paulo que diz: "não devemos nos conformar com esse mundo, mas é função
pelo nosso entendimento fazer a sua transformação”. Como então entender o
estrangulamento no supermercado que levou a óbito Pedro Henrique Araújo? O
estrangulamento é o iceberg a ponta da estrutura colonial escravocrata que
reconfigurou o espaço da casa-grande sendo hoje o senhor o dono do capital como
rede de supermercado, que tem o poder de produzir o mesmo perfil do capitão do
mato de outrora, para cumprir a mesma função de capturar negros que se
colocarem contra a ordem social contra os “homens bons” que que frequentam os espaços públicos.
Geralmente, à época da casa-grande o capitão do mato era negro e era ele um
caçador de negros que estariam fora da
ordem social. Hoje não é diferente o perfil de quem faz a segurança para de
rede de loja; a maioria é negra, físico forte o que inspira no imaginário a
força e repressão. A manutenção da ordem hegemônica da estrutura branca dono do
capital é feita pela força do segurança de estrutura de biotipo negra. Nesta
semana entrei numa loja em Campos-RJ e por todas as prateleiras havia uma placa
escrita, "Evite problemas com os seguranças, não retire o produto da
embalagem". Procurei o gerente e falei com ele do sentido repressivo do texto,
e ele concordou e disse que ia providenciar a retirada do mesmo. O que se denota é que por detrás da atividade
de segurança está o racismo estrutural. A sua permanência está na estrutura
econômica e social dos diferentes espaços. Está inclusive na seleção e no perfil
psicológico onde a cor da pele não é um fator aleatório. Há no inconsciente
coletivo dessa categoria o preparar e a orientação para se fazer de forma
diferenciada a abordagem num consumidor negro que transita pelo interior de uma
loja. Nesse imaginário estruturante racista, o negro é sempre o elemento
suspeito. Há um tempo, visitei um shopping na minha cidade em uma atividade de
aula e os alunos negros foram abordados de imediato pelos seguranças, pediram
para se retirar da frente das vitrines e se desagrupassem e fosse circular.
Esta orientação tem racismo estrutural. O estrangulamento no Extra de Pedro
Henrique Araújo pelo segurança, Davi Ricardo Moreira Amâncio, a força e o
controle emocional para imobilizar a vítima confirma a inumanidade de quem devia
fazer a sua segurança; porém ele escolheu sufocar a igualdade entre eles, a
mesma origem histórica, o mesmo tom de pele, a mesma a estrutura social e levar
a cabo um jovem negro desestruturado emocionalmente, que segundo o depoimento
de familiares, Pedro era um dependente químico. Vício não tem cor e nem classe
social. É uma doença.
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