Natal de Inquietude


NATAL DE INQUIETUDE
O Brasil é um país de maioria cristã segundo o IBGE e de fato isto se confirma nos festejos de dezembro cujos católicos e evangélicos, em família e na igreja cultuam o nascimento do menino Jesus.  Para mim, Natal não é somente alegria dos homens, ele gera mal-estar também entre os homens. Em 2018 vimos pastores do alto dos seus altares saírem em apoio a um candidato que não respeitava as minorias, como a população LGBT, negros e índios, e em nome de Deus se mostraram indiferentes à injustiça para com esses segmentos da população. No lugar do amor disseminaram o ódio e no lugar da cruz o medo pelo medo foi o condutor entre os fiéis num discurso de opositores que, de um lado estavam os fiéis combatentes contra a corrupção e pela moral, e do outro os infiéis relativistas que se aceitavam conviver com pessoas desacreditadas pela moral religiosa.
Se a corrupção é ruim para a sociedade a desigualdade é o estado pior do homem. Corrupção se combate com punição ao corruptor. A desigualdade se não houver fome e sede de justiça não há transformação da condição humana. Historicamente, a desigualdade é aceita moralmente entre os cristãos. A Escravidão foi uma desigualdade aceita como uma forma justa de tratamento pelos cristãos. No Velho Testamento Deus exorta Israel a não se conformar com a desigualdade social. O nascimento de Cristo é o marco histórico da humanidade de que a geografia da desigualdade tem lugar e família. O menino Jesus nasceu numa sociedade cuja desigualdade social a pobreza de seus pais era tão discrepante que entre os homens não se encontrou lugar para o seu nascimento. Maria e José puderam contar apenas com a solidariedade dos animais na estrebaria. O nascimento de Jesus revelou que a desigualdade tem lugar. Ainda assim a sua desigualdade em nascer moveu Herodes a um estado de mal-estar que o mesmo determinou sua morte. Contudo, enquanto Ele crescia em estatura e graça a força da sua palavra incomodava o poder religioso. Seu ministério gerava diariamente mal-estar e ódio aos líderes religiosos por levar o homem a pensar e a escolher por si mesmo e não ficar cativo do poder da religião à espera de um céu como um fim e não como meio.  
Mal-estar significa a capacidade de gerar insatisfação no outro. Cristo não veio à terra com a missão de agradar o poder romano e tão pouco os religiosos. Sua missão foi gerar mal-estar e incomodar. No evangelho de Lucas 4:18, diz que quando Jesus evocou para si que,   "O Espírito do Senhor estava sobre Ele, porque Ele foi ungido para pregar boas novas aos pobres, e foi enviado para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos”, na sinagoga, os religiosas botaram Ele a porta fora e tentaram contra sua vida levando a um precipício, foi quando então Ele se desvencilhou da multidão e desceu para Cafarnaum e itinerante levavam as Boas Novas a toda tipo de gente. À época se utilizou dos diferentes suportes e plataformas para falar do amor aos homens. Uma vez tomou emprestado o barco de Pedro para falar a multidão, outras vezes era comum subir a montanha ou falar da relva,... visitava aldeias, orava, curava, ouvia e amavam aqueles que pensavam diferente. Entrou em Samaria, transformou a água no bom vinho. Ainda hoje Cristo vive. Sua palavra não é monopólio de nenhum sistema religioso. Ainda que se tenham convenções e doutrinas humanas como reguladoras do nome de Deus, a liberdade da cruz continua sendo o caminho da graça e do Ano Aceitável a todos os homens. Natal continua sendo o poder de inquietar e demonstrar que maior que a corrupção é a desigualdade social, e como Jesus disse, “bem aventurado o homem que tem fome e sede de justiça” do tal será o reino de Deus. Acredito numa nação que os princípios do reino de Deus se faz com justiça social. Que me adianta dizer que Jesus nasceu e reina se sou indiferente à injustiça e não tenho fome e sede para transformar o mundo ao meu redor? 
Profº. Edimilson Mota

Comentários

  1. Respostas
    1. Obrigado. O próximo vou abordar sobre o réveillon e os lugares de escolha da tradição da cultura crista.

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